sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008
domingo, 9 de Março de 2008
quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008
(parêntises)
nada mudou.
lá fora o inverno ainda gela a pele e o frio chega quase aos ossos. a chuva ainda cai às vezes, outras vezes ainda faz sol. as pessoas continuam a passar pela vida com caras infelizes. os namorados continuam apaixonados. os cães ainda fazem chichi nas árvores. o chão continua a ser sujo pelo homem, ninguém o limpa.
no jardim as folhas das árvores ainda caem quando chega a sua hora, e as flores desabrocham quando se sentem confortáveis para isso. o rio brilha. os carros fazem fumo e matam o ar puro. o mundo não mudou.
nada mudou.
os pais todos os dias levam as crianças à escola e chegam atrasados ao trabalho. os que não são pais também chegam muitas vezes atrasados ao trabalho. à noite a cidade ainda mexe, as discotecas ainda enchem, e ainda há pessoas que não gostam de sair de casa.
os donos do mundo ainda são os ricos e ainda há pessoas a morrer à fome. ainda se criam guerras e ainda ninguém se lembrou que "a falar é que a gente se entende". a gente não mudou.
nada mudou.
os dias ainda duram aproximadamente 24 horas, mais ou menos 50 segundos por turno. as embalagens ainda têm o prazo de validade impresso. as mulheres bonitas ainda fazem os homens perder a cabeça e ainda há mulheres que adoram um homem de farda. os estudantes ainda deixam os trabalhos para a véspera. o futebol ainda movimenta mais gente do que um evento de caridade. os políticos ainda dizem o que as pessoas querem ouvir para depois não fazerem nada, e os eleitores continuam a votar com base no sorriso do candidato. nada mudou.
mas tudo mudou.
mais ou menos pela hora em que te vi.
lá fora o inverno ainda gela a pele e o frio chega quase aos ossos. a chuva ainda cai às vezes, outras vezes ainda faz sol. as pessoas continuam a passar pela vida com caras infelizes. os namorados continuam apaixonados. os cães ainda fazem chichi nas árvores. o chão continua a ser sujo pelo homem, ninguém o limpa.
no jardim as folhas das árvores ainda caem quando chega a sua hora, e as flores desabrocham quando se sentem confortáveis para isso. o rio brilha. os carros fazem fumo e matam o ar puro. o mundo não mudou.
nada mudou.
os pais todos os dias levam as crianças à escola e chegam atrasados ao trabalho. os que não são pais também chegam muitas vezes atrasados ao trabalho. à noite a cidade ainda mexe, as discotecas ainda enchem, e ainda há pessoas que não gostam de sair de casa.
os donos do mundo ainda são os ricos e ainda há pessoas a morrer à fome. ainda se criam guerras e ainda ninguém se lembrou que "a falar é que a gente se entende". a gente não mudou.
nada mudou.
os dias ainda duram aproximadamente 24 horas, mais ou menos 50 segundos por turno. as embalagens ainda têm o prazo de validade impresso. as mulheres bonitas ainda fazem os homens perder a cabeça e ainda há mulheres que adoram um homem de farda. os estudantes ainda deixam os trabalhos para a véspera. o futebol ainda movimenta mais gente do que um evento de caridade. os políticos ainda dizem o que as pessoas querem ouvir para depois não fazerem nada, e os eleitores continuam a votar com base no sorriso do candidato. nada mudou.
mas tudo mudou.
mais ou menos pela hora em que te vi.
sábado, 9 de Fevereiro de 2008
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quem foi que à tua pele conferiu esse papel
de mais que tua pele ser pele da minha pele?
David Mourão Ferreira
de mais que tua pele ser pele da minha pele?
David Mourão Ferreira
quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008
quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008
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sopra-me silêncios ao ouvido e dá-me beijos desses teus com a palma da mão.
encosta à minha a tua testa e deixa que o mundo passe por nós sem nos reconhecer, ora porque não quer, ora porque não nos vê, ora porque nós não o vemos a ele porque não queremos, porque não podemos, porque não nos apetece, porque não. o mundo não interessa.
gosto de sentir os teus joelhos presos nos meus joelhos que estão presos nos teus. e da ponta dos teus dedos no meu cabelo. e gosto de quando os teus olhos estão tão perto dos meus que nem consigo bater as pestanas com medo de que fujas de repente se fechar os olhos por um segundo.
encosta à minha a tua testa e deixa que o mundo passe por nós sem nos reconhecer, ora porque não quer, ora porque não nos vê, ora porque nós não o vemos a ele porque não queremos, porque não podemos, porque não nos apetece, porque não. o mundo não interessa.
gosto de sentir os teus joelhos presos nos meus joelhos que estão presos nos teus. e da ponta dos teus dedos no meu cabelo. e gosto de quando os teus olhos estão tão perto dos meus que nem consigo bater as pestanas com medo de que fujas de repente se fechar os olhos por um segundo.
domingo, 13 de Janeiro de 2008
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é tarde, tenho sono e devia estar a dormir.
mas tu não me sais da cabeça.
é frustrante este sentimento de impotência que no meu corpo se faz sentir como golpes em ambos os pés, que me prendem ao chão que os seguram e não me deixam ir ter contigo para de novo te trazer para aqui, para este sofá onde estou, e te prender nos meus braços como já fiz tantas vezes antes da que seria esta vez.
penso que se fosse mais cedo talvez saisse de casa e procurasse ir ao teu encontro - mas é mentira. estás demasiado longe daquie para além disso a minha inequívoca preguiça dos últimos tempos tem-se apoderado tão intensamente do meu corpo que mesmo quando quero mexer-me não consigo a menos que seja um caso de vida ou morte, literalmente. e visto não ser esse o caso eu não saíria daqui, mesmo que fosse muito mais cedo. porque estou cansada, oh tão cansada...
mas talvez esteja errada e tenha já dito uma mentira, ou um engano, quando disse que este não é um caso de vida ou morte. porque é. é a vida ou a morte do momento, da felicidade, e sobretudo do sorriso que hoje não tracei porque não estive contigo. e sem ti não passo de um monte de esboços de sorrisos que nunca se qualificam para uma continuação para uma imagem maior, para um desenho, para um traço definitivo de felicidade. nos teus braços eu sorrio, e eu rio, e toda eu me deixo sobrelotar de partículas de alegria, pois só contigo, encostada ao teu peito, eu compreendo o significado que tem conhecer os segredos do mundo, ter desvendado os mistérios da história. só perto de ti compreendo porque houve quem mentisse por amor, quem roubasse por amor, quem matasse até, por amor. só em ti eu admito a existência desse amor que nos faz derrubar barreiras e saltar obstáculos, e que nos faz tentar desesperadamente alcançar a constante permanencia desse sentimento, por ser tão grande e tão bom que não se apaga da nossa alma nunca, com a facilidade com que, eventualmente, se apaga dos nossos lábios.
só em ti. só por ti.
mas tu não me sais da cabeça.
é frustrante este sentimento de impotência que no meu corpo se faz sentir como golpes em ambos os pés, que me prendem ao chão que os seguram e não me deixam ir ter contigo para de novo te trazer para aqui, para este sofá onde estou, e te prender nos meus braços como já fiz tantas vezes antes da que seria esta vez.
penso que se fosse mais cedo talvez saisse de casa e procurasse ir ao teu encontro - mas é mentira. estás demasiado longe daquie para além disso a minha inequívoca preguiça dos últimos tempos tem-se apoderado tão intensamente do meu corpo que mesmo quando quero mexer-me não consigo a menos que seja um caso de vida ou morte, literalmente. e visto não ser esse o caso eu não saíria daqui, mesmo que fosse muito mais cedo. porque estou cansada, oh tão cansada...
mas talvez esteja errada e tenha já dito uma mentira, ou um engano, quando disse que este não é um caso de vida ou morte. porque é. é a vida ou a morte do momento, da felicidade, e sobretudo do sorriso que hoje não tracei porque não estive contigo. e sem ti não passo de um monte de esboços de sorrisos que nunca se qualificam para uma continuação para uma imagem maior, para um desenho, para um traço definitivo de felicidade. nos teus braços eu sorrio, e eu rio, e toda eu me deixo sobrelotar de partículas de alegria, pois só contigo, encostada ao teu peito, eu compreendo o significado que tem conhecer os segredos do mundo, ter desvendado os mistérios da história. só perto de ti compreendo porque houve quem mentisse por amor, quem roubasse por amor, quem matasse até, por amor. só em ti eu admito a existência desse amor que nos faz derrubar barreiras e saltar obstáculos, e que nos faz tentar desesperadamente alcançar a constante permanencia desse sentimento, por ser tão grande e tão bom que não se apaga da nossa alma nunca, com a facilidade com que, eventualmente, se apaga dos nossos lábios.
só em ti. só por ti.
sábado, 5 de Janeiro de 2008
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queria dizer mil e uma coisas, mas hoje faltam-me as palavras. irónico, não é?
o ano começou bem, começou muito bem. este vai ser um ano bom!
o ano começou bem, começou muito bem. este vai ser um ano bom!
domingo, 16 de Dezembro de 2007
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às vezes, ou na maior parte do tempo em que estou de olhos abertos e a respirar, acredito piamente que fomos o melhor exemplo de perfeição que existiu até hoje. outras vezes, menos vezes do que as mais, acredito que nunca estivemos bem. porque nunca houve verdade. ou houve verdade mas sem ser uma verdade verdadeira e absoluta, como as verdades devem ser, sendo assim uma verdade adulterada, semi-verdade, não-verdade, uma mentira. como o nosso para sempre.
tu disseste para sempre. eu disse para sempre. e eu menti, tu mentiste, nós mentimos. a menos que o para sempre se tenha esgotado nas nossas mãos e tenhamos perdido o fio condutor desse para sempre e por isso nos tenhamos apartado. mas não acredito nisso, acho que o para sempre se chegasse não fugia, não se ia embora. então nunca houve um para sempre, houve sim uma ilusão traiçoeira desse sempre, que era para sempre, mas que não o foi durante tempo algum, porque o tempo que por nós passou foi tanto ou tão pouco que já não é.
assim às vezes, poucas vezes, mas são algumas, estão lá, penso que nunca estivémos bem, mesmo enquanto acredito já sem acreditar, seguindo a mesma estruturação lógica que segui com o para sempre que nunca o foi, que fomos o melhor exemplo de perfeição que existiu até hoje.
não consigo explicar. o que é que foi verdade afinal e o que é que foi vivido? quanto de nós se perdeu ou se ganhou no meio dessa história que foi nossa? quanto de mim é meu? e quanto de ti é teu, só teu, sem nenhuma agravante física ou psicológica que permita que sejas teu sem ser teu através de alguma alteração lógica ou ilógica no pensamento aquando do momento de pensar? eu acho que não tenho muito meu, que não sou muito minha, porque não tive ainda tempo nem vontade de resgatar por completo dos teus braços o que me pertencia e o que me era, que deixei em ti, entre suspiros apaixonados ou gritos de frustração dos que se soltaram em discussões sem sentido ou nexo, que sei agora que nunca devíamos ter tido.
não nos sei definir e isso assusta-me, sempre tive esta necessidade absurdamente complusiva de organizar e catalogar os itens da minha história para que pudessem ser arrumados como deve ser no seu devido lugar. e não sei assim qual é o nosso lugar, em que prateleira nos pôr. ou te pôr, visto que o nós já não existe, tendo, claro, assumido neste momento, que existimos a dado ponto, a dada altura, mesmo que por vezes pense o contrário, uma vez que a verdade nos falhou pelo caminho.
sei que era verdade e que acreditava em mim mesma quando te dizia que te amo. e sei que ainda o é e que ainda o sinto, mas já não sei se acredito em mim.
de resto não sei mais nada.
tu disseste para sempre. eu disse para sempre. e eu menti, tu mentiste, nós mentimos. a menos que o para sempre se tenha esgotado nas nossas mãos e tenhamos perdido o fio condutor desse para sempre e por isso nos tenhamos apartado. mas não acredito nisso, acho que o para sempre se chegasse não fugia, não se ia embora. então nunca houve um para sempre, houve sim uma ilusão traiçoeira desse sempre, que era para sempre, mas que não o foi durante tempo algum, porque o tempo que por nós passou foi tanto ou tão pouco que já não é.
assim às vezes, poucas vezes, mas são algumas, estão lá, penso que nunca estivémos bem, mesmo enquanto acredito já sem acreditar, seguindo a mesma estruturação lógica que segui com o para sempre que nunca o foi, que fomos o melhor exemplo de perfeição que existiu até hoje.
não consigo explicar. o que é que foi verdade afinal e o que é que foi vivido? quanto de nós se perdeu ou se ganhou no meio dessa história que foi nossa? quanto de mim é meu? e quanto de ti é teu, só teu, sem nenhuma agravante física ou psicológica que permita que sejas teu sem ser teu através de alguma alteração lógica ou ilógica no pensamento aquando do momento de pensar? eu acho que não tenho muito meu, que não sou muito minha, porque não tive ainda tempo nem vontade de resgatar por completo dos teus braços o que me pertencia e o que me era, que deixei em ti, entre suspiros apaixonados ou gritos de frustração dos que se soltaram em discussões sem sentido ou nexo, que sei agora que nunca devíamos ter tido.
não nos sei definir e isso assusta-me, sempre tive esta necessidade absurdamente complusiva de organizar e catalogar os itens da minha história para que pudessem ser arrumados como deve ser no seu devido lugar. e não sei assim qual é o nosso lugar, em que prateleira nos pôr. ou te pôr, visto que o nós já não existe, tendo, claro, assumido neste momento, que existimos a dado ponto, a dada altura, mesmo que por vezes pense o contrário, uma vez que a verdade nos falhou pelo caminho.
sei que era verdade e que acreditava em mim mesma quando te dizia que te amo. e sei que ainda o é e que ainda o sinto, mas já não sei se acredito em mim.
de resto não sei mais nada.
segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007
!
o que foi que me fizeste para que eu não conseguisse viver sem ser assim, tão inabalávelmente consciente da falta que tu me fazes?!
sábado, 8 de Dezembro de 2007
.
I don’t know what it is that makes me love you so
I only know I never want to let you go
‘cause you started something, can’t you see
that ever since we met, you’ve had a hold on me?
it happens to be true
I only wanna be with you
it doesn’t matter where you go or what you do
I wanna spend each moment of the day with you
look what has happened with just one kiss
I never knew that I could be in love like this
it’s crazy but it’s true
I only wanna be with you
you stopped and smiled at me, asked me if I’d care to dance
I fell into your open arms and I didn’t stand a chance
oh, I just wanna be beside you everywhere
as long as we’re together honey I don’t care
‘cause you started something, can't you see
that ever since we’ve met, you’ve had a hold on me?
no matter what you do
I only wanna be with you
no matter what you do
I only wanna be with you
[Agent Orange]
I only know I never want to let you go
‘cause you started something, can’t you see
that ever since we met, you’ve had a hold on me?
it happens to be true
I only wanna be with you
it doesn’t matter where you go or what you do
I wanna spend each moment of the day with you
look what has happened with just one kiss
I never knew that I could be in love like this
it’s crazy but it’s true
I only wanna be with you
you stopped and smiled at me, asked me if I’d care to dance
I fell into your open arms and I didn’t stand a chance
oh, I just wanna be beside you everywhere
as long as we’re together honey I don’t care
‘cause you started something, can't you see
that ever since we’ve met, you’ve had a hold on me?
no matter what you do
I only wanna be with you
no matter what you do
I only wanna be with you
[Agent Orange]
terça-feira, 4 de Dezembro de 2007
...
se é que existe uma medida, uma fórmula exacta para se definir o estado de estar perdido, sendo que este estado é uma espécie de crucifixação impune da alma, eu creio que encontrei. acho que foi por volta das nove e meia da noite de hoje que entendi ao que leva a multiplicação de factores vários que adicionei e subtraí à minha vida, ao meu estado, ao meu coração. subtraí mais do que adicionei, tirei mais do que pus, gastei mais do que tinha, andei mais do que sabia, fiz mais do que podia, e por fim cheguei aqui, a este estado que - então - reconheço agora ser inequivocavelmente aquele em que se encontram os que estão perdidos, os que não têm o rumo, os que não sabem para que lado e com que convicção (ou ausência da mesma) hão de dar o próximo passo rumo ao futuro. estou então perdida. mesmo. já me pensei, confesso, perdida, várias vezes. mas nunca antes experienciei este tipo de total desprendimento da minha própria alma como sinto agora. é uma mistura de sensações. ora a pele aperta ora me foge, ora nem a sinto mais porque as sensações existem no adormecimento causado pela dor da ausência delas mesmas, se é que me faço entender. acho que não. mas não faz mal, porque de facto não existe equação matemática ou quântica, ou palavras expressivas o suficiente, que sirvam para definir e enquadrar convictamente a solidão, o mal-estar, a dor de alma e o estar-se perdido. eu hoje estou perdida. e sinto-me só.
segunda-feira, 19 de Novembro de 2007
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o rádio parou de tocar aquelas músicas antigas que gosto de ouvir tarde dentro e o mundo que me rodeava imergiu num mar de silêncio absoluto. deixei-me ficar sentada em cima da cama a viver esse silêncio que me engulia e me mastigava calmamente o ser e as ideias. se estivesses aqui - pensei para dentro, falando contigo como se me ouvisses dentro da minha propria cabeça - este silêncio era teu também.
não consigo encontrar maneira de descrever o fascinio que em mim exercem estes silêncios tardios e moles que me fazem recordar os momentos em que falamos sem falar, e em que nos amamos. se o fizesse repetiria novamente alguma das muitas coisas que já disse sobre esse silêncio, uma e outra vez. mas sem o fazer perco o meu próprio sentido, visto que quando não vivo as coisas penso sobre elas e as explico e re-explico, e as revivo na minha cabeça vezes e vezes sem conta, e porque este silêncio que me ensinaste é a melhor coisa que guardo.
não acredito que seja possivel alguém mais conhecer este silêncio, porque cada silêncio é uno e imutável, mas nenhum deles sabe ser sem ser corrupto, por um suspiro ou uma batida de coração.
os nossos corações não batem quando o silêncio se instala em nós, ou se batem é muito muito baixinho para que se não ouçam. e nunca suspiramos com a boca, porque por dentro todo o nosso corpo adormece em suspiros, anestesiado pelos sentimentos vários que vivemos um no outro, um pelo outro.
então é verdade, sim, que não consigo encontrar modo de contar este silêncio inabalável, mas é também verdade que não desisto de o fazer. assim sempre vou mantendo os sentidos ocupados e alerta quando o faço.
e assim não sinto tanto a saudade que me trazes quando não vens.
não consigo encontrar maneira de descrever o fascinio que em mim exercem estes silêncios tardios e moles que me fazem recordar os momentos em que falamos sem falar, e em que nos amamos. se o fizesse repetiria novamente alguma das muitas coisas que já disse sobre esse silêncio, uma e outra vez. mas sem o fazer perco o meu próprio sentido, visto que quando não vivo as coisas penso sobre elas e as explico e re-explico, e as revivo na minha cabeça vezes e vezes sem conta, e porque este silêncio que me ensinaste é a melhor coisa que guardo.
não acredito que seja possivel alguém mais conhecer este silêncio, porque cada silêncio é uno e imutável, mas nenhum deles sabe ser sem ser corrupto, por um suspiro ou uma batida de coração.
os nossos corações não batem quando o silêncio se instala em nós, ou se batem é muito muito baixinho para que se não ouçam. e nunca suspiramos com a boca, porque por dentro todo o nosso corpo adormece em suspiros, anestesiado pelos sentimentos vários que vivemos um no outro, um pelo outro.
então é verdade, sim, que não consigo encontrar modo de contar este silêncio inabalável, mas é também verdade que não desisto de o fazer. assim sempre vou mantendo os sentidos ocupados e alerta quando o faço.
e assim não sinto tanto a saudade que me trazes quando não vens.
quarta-feira, 7 de Novembro de 2007
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descobri hoje que és tu o dono das minhas palavras, o que faz com que, consequentemente, as palavras sejam tuas e não minhas, porque és tu que as crias e as carregas, és tu que as fazes crescer, que as educas, que as prendes e é tu que mas dás para que eu as sinta e as diga ou queira dizer, nem sempre sendo sucedida, por ter em mim tanto medo de errar na quantidade de expressão e de sentimento a atribuir-lhes.
assim, preciso de te ter por perto para que as palavras da alma não falhem ao fundo da garganta, mesmo embora não as profira dado esse tal medo de falhar, mas as guarde e organize em mim textos e cartas de amor e histórias que depois um dia te conto, quando eventualmente acabo por ganhar coragem, e que te fazem sorrir.
e não será pedir muito, pedir-te que cortes a distância ou o espaço temporal em que te manténs longe, por motivos vários que acabo sempre por compreender, porque mesmo que me emprestes por momentos ou até dias as palavras, sabes que regressam sempre a ti, de uma ou outra forma, porque são tuas e eu nunca te roubo nada.
nada... fora esse beijo na alma que hoje te roubei.
assim, preciso de te ter por perto para que as palavras da alma não falhem ao fundo da garganta, mesmo embora não as profira dado esse tal medo de falhar, mas as guarde e organize em mim textos e cartas de amor e histórias que depois um dia te conto, quando eventualmente acabo por ganhar coragem, e que te fazem sorrir.
e não será pedir muito, pedir-te que cortes a distância ou o espaço temporal em que te manténs longe, por motivos vários que acabo sempre por compreender, porque mesmo que me emprestes por momentos ou até dias as palavras, sabes que regressam sempre a ti, de uma ou outra forma, porque são tuas e eu nunca te roubo nada.
nada... fora esse beijo na alma que hoje te roubei.
domingo, 28 de Outubro de 2007
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everything you think you know baby, is wrongand eveything you think you had, baby, is gone!
queria que as minhas palavras pudessem dizer o que a minha alma grita, em desabafos mudos que me ensurdecem o ser.
arranho as paredes, o chão e a pele, numa vã tentativa de rasgar tudo o que me prende a este corpo, a esta forma, a este espaço onde sinto que não caibo e de onde não consigo sair. não me quero e não me sei, não me conheço, não me quero e não me quero. quero fugir de mim e livrar-me de mim, despejar-me numa vala comum e enterrar-me até ao cimo. quero sair daqui mas a porta não abre. tento a janela.
sou dois numeros abaixo do meu. aperto-me e não deixo o sangue correr nas minhas veias. sinto-me toda dormente nesta pele que tento constantemente etiquetar pelos padrões normais de tamanhos nas lojas de roupa juvenil. então visto-me dois numeros abaixo do meu, apesar de ter roupa larga a cair-me pelo corpo que a pele contém. devia deitar-me fora, ou guardar-me no armario até voltar a estar na moda.
saí de moda. saí de estilo, estou fora de tempo, passou o prazo. sinto-me velha, e gasta, e sinto-me cansada.
queria que as minhas palavras pudessem dizer o que a minha alma grita, ou o que as lágrimas que me descem pelo cara contêm. queria ter o dom da escrita para aprisionar este sentimento numa folha de papel e ficar livre dele. trancá-lo numa caixa, deitar fora a chave, enterrar a caixa, nunca mais a ver. queria, mas queria tanto...
it’s all over but the crying
fade to black i'm sick of trying
took too much and now i’m done
it’s all over but the crying
[garbage]
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